Caiaques Ao Mar

 

Domingo, 8 de Agosto de 2004.

 

 

Já passam das 9h30m da manhã, o dia está solarengo e no cais da Ribeira Brava levanta-se um reboliço pouco habitual. Entre caiaques, pagaias e coletes pintou-se o cais em tons dignos de receber os canoistas de ocasião que se mostravam entusiasmados por fazerem parte deste ordeiro caos, despoletado pelo segundo Passeio em Caiaque do Clube Aventura da Madeira.

Após a protocolar inscrição (condicionada por “esquecimentos” inerentes a estas andanças), a colorida azáfama fez-se audível e visível através dum “breve” avivar dos propósitos e normas deste passeio e duma animada sessão de aquecimento que se tornou monotónica para alguns.

Seguidamente, entranha-se o aglomerado nas rotinas dos locais e num ápice estão os caiaques na água. Era tempo de amontoamento e partida rumo ao porto do Campanário, onde pela primeira vez fomos recebidos pelos olhares curiosos dos locais.

Os caiaques surfavam na crista das vivas águas que se faziam sentir sob a montada; o grupo começava a atarefada recolha de lixo proposta pela organização; e o esforço exigido era o do equilíbrio, pois o deslocamento do grupo era facilitado pela corrente a favor.

Entre a recolha do lixo (flutuante, submerso e esquecido nas praias) e a contemplação do recorte geomorfológico das imponentes escarpas que nos acompanhavam, foram-se palmilhando quilómetros e por volta das 12h30m atracavam os caiaques no calhau da praia da Fajã dos Padres.

Situada no fundo do famoso precipício do Cabo Girão, a Fajã dos Padres é um terreno plano, cultivável, de pequena extensão, situado à beira-mar, formado de materiais desprendidos da encosta, que em tempos pertenceu aos Padres da Companhia de Jesus. Esta terra produz o melhor vinho Malvazia da ilha e até 1998 o acesso só podia ser feito de barco. Hoje em dia, a descida torna-se bem mais fácil no moderno elevador de vidro – com 350 metros de altura e um dos mais altos na Europa.

Hoje, a Fajã dos Padres é uma pequena estância turística que inclui um restaurante, excelentes condições para fazer praia e para a prática de pesca, casas de turismo de habitação para estadias de curta duração e incríveis vistas sobre o mar e sobre as montanhas. Para além da cultura do vinho, esta zona conta com condições climatéricas excelentes para o cultivo de papaia, mango, abacate, banana e outras frutas exóticas como a goiaba e o maracujá, que tivemos oportunidade que apontar.

A oportunidade de usufruir e deliciar-se com todos estes encantos foi proporcionada por uma horita de paragem neste local, onde os canoistas entre outras coisas puderam aperfeiçoar os seus mergulhos mais ou menos acrobáticos, repor os níveis de glicemia e repousar os músculos mais solicitados.

Entre os banhos de sol, os petiscos e os passeios chegou a hora de levantar as canoas e voltar a domina-las sobre as ondas. Rapidamente avistávamos o maciço rochoso que irrompe mar a dentro e ampara as águas da Baia de Câmara de Lobos, e sem mais demoras procedeu-se a mais um ajuntamento para que fosse possível levar a cabo uma ideia de um dos participantes – uma corrida final com meta na ponta do Cais de Câmara de Lobos.

Alinhados paralelamente, a organização foi aguentando ao máximo este bonito formato de navegabilidade e pouco depois era dado o sinal sonoro que dava início ao desafio final (absolutamente facultativo). A dupla Justino e André Nóbrega foi quem primeiro levou o seu caiaque a atravessar a linha imaginária que dava por terminado este desafio final.

Após a última convocatória sobre o mar, o rumo seguido foi a praia da baia de Câmara de Lobos. Desviando-se com afinco dos barcos ancorados e gentilmente transportando as criaturas de tenra idade que se faziam convidadas sobre o dorso dos amarelos caiaques, a caravana terminou o desafio em solo duro (leia-se calhau roliço), tendo ainda de transportar as embarcações para junto do veículo que nos aguardava.

Estava quase concluída a aventura, mas como havia sido prometido pela organização, seria atribuída uma borla ao caiaque que chegasse com mais lixo a Câmara de Lobos… Infelizmente, um dos caiaques da organização que acompanharam o passeio tinham coleccionado mais lixo em volume e peso que os restantes participantes.

Este foi o segundo passeio do Caiaques Ao Mar, mas não desesperem, ainda falta um… desta feita a proposta será remar da praia dos Reis Magos até à Rampa de São Lazaro no Funchal.

Todos são bem vindos e desde já fica a nossa gratidão a todos quantos participaram neste ultimo passeio, pela forma exemplar como cumpriram as directivas da organização e aderiram aos desafios propostos – a todos o nosso muito obrigado!!

         

          Saudações Marítimas