Reportagem

PASSEIO DE KAIAQUE AO GARAJAU

Domingo, 28 de Setembro de 2003


    
 O último evento estival do Ludi Gim Aventura Clube, foi apadrinhado por uma manhã quente em tons cinza, e levou 28 entusiastas a trocarem a comodidade dos seus leitos pelos “confortáveis” acentos, dos kaiaques de mar.
     Pelas 09h10 começou a formar-se um aglomerado de pretensos canoistas junto à entrada para a Rampa de São Lazaro. A conta gotas e já para além do horário estipulado, a concentração realizou-se.
     Era tempo de confirmar a papelada, ajustar o colete, escolher a pagaia e carregar os caiaques fundeados no Clube Naval, até à Rampa. Esta tarefa que se afigurou mais fácil para uns do que para outros, ou não pesassem estas “embarcações” aproximadamente 40 kg, reuniu os participantes e deu azo à breve instrução sobre técnicas de navegabilidade, prometida pela organização.
    
 De bote na água e trouxas arrumadas, soltaram-se amarras e deu-se início ao passeio. Os choques contra os barcos ancorados nesta zona, que encurtavam um pouco a passagem, pareciam inevitáveis para os menos habituados a estas andanças.
     Transposto o primeiro obstáculo (a saída da rampa), demos de caras com um plano de água (tipo azeite no entender de alguns), que se estendia até ao horizonte, fazendo adivinhar um passeio calmo.
     Deixando para trás o Porto do Funchal, rumamos para o Lazareto, onde se iria proceder à primeira paragem do passeio. Pelo caminho pôde-se contemplar a beleza impar do resistente Forte de São Tiago, as primeiras braçadas dos banhistas que marcavam presença na Barreirinha e as casas senhoriais de outros tempos, que agora abandonadas, marcam presença no topo das arribas que nos acompanharam até ao Cais do Lazareto.
     Até a maré foi complacente com a nossa iniciativa e permitiu-nos um desembarque sem percalços, na pequena praia do Lazareto. Liberto de coletes e pagaias subiu o grupo até às instalações da Reserva Marinha do Garajau, onde fomos recebidos pelo responsável pela reserva e vigilantes de serviço.
     O prelector da sessão de esclarecimento que estava programada, foi o Sr. Carlos Freitas (responsável pela reserva), profundo conhecedor desta Meca do mergulho mundial, que não só deu a conhecer as “fronteiras” da reserva, a flora e fauna característica deste local, bem como divulgou as normas implícitas à prática de actividades náuticas nestas águas. Englobada nesta sessão pedagógica foi ainda possível ouvir do mesmo prelector, um pouco da história do Lazareto, antigo centro de isolamento de leprosos, que se viam obrigados a permanecer entre os muros erguidos em seu redor, sendo o transporte de géneros e afins feito por mar até ao cais ali existente.
     De referir ainda que esta reserva fica a pouca distancia do centro do Funchal e está aberta ao publico em geral.
     Consumadas as despedidas e agradecimentos, levantamos ferro ainda não marcava o relógio meio-dia e seguimos desta feita com o sentido posto na praia do Garajau, já alertados para um panorama menos bom, visto que a paisagem envolvente nesta zona, está envolvida por lixo e entulho. Enfim, sem comentários..
     Assim que se refrescou a memória dos mais esquecidos, sobre os objectivos do passeio, seguimos, contemplando o recorte geomorfológico das imponentes escarpas costeiras que nos acompanhavam, complementadas pelo azul intenso do mar profundo, ou a transparência das mesmas águas junto a terra.
     Após duas bóias de amarração, que facilitam a vida dos mergulhadores e do fundo marinho, avistamos a praia do Garajau e sem mais demoras os caiaques foram encalhados no calhau, porque a fome já apertava e o horário estipulado estava em concordância.
Foi hora de dar um mergulho, comer, beber e por a conversa em dia. E talvez por ser domingo, houve até quem aproveitasse para esticar as pernas ao longo dum carreiro sinuoso esculpido nas paredes verticais da Ponta do Garajau.
     A vista do lado nascente deste cabeço que irrompe mar dentro, é duma beleza impar noutras paragens, com o Galo e a Ponta da Oliveira a predominarem.
     Ás 13h30, procedeu-se a novo reagrupamento e regresso à água, mas desta feita, nem todos optamos pela mesma prática desportiva, e nem só de canoagem viveu este passeio.
     De forma convicta e descontraída, um dos participantes (Duarte Mendonça) decide regressar a nado para o Funchal, o que para espanto de uma boa parte da comitiva (para não dizer todos), lá viram, braçada após braçada, os 6 km que separam o Garajau do Funchal, serem vencidos ao ritmo dos passeantes de Kaiaque.
     Esta segunda etapa foi também um palco de contrastes, pois se embuídos por um espírito competitivo pouco ajustado aos moldes deste passeio, havia quem tivesse pressa, para depressa se afastar; outros ziguezagueavam, rumo ao lixo flutuante que se passeava ao longo do percurso. Desta recolha resultou essencialmente a sensação de dever cumprido, o dispêndio de energia suficiente para se sentir cansado, algumas garrafas e muito plástico.
     Ainda houve desequilíbrio suficiente para o “capotanço” da praxe e forças para rebocar canoas alheias, deixando prevalecer o espírito altruísta.
     Enfim, houve de tudo e para todos, prevalecendo no fim o desejo uníssono de repetir idênticos desafios num futuro próximo (esperemos que esta vontade seja mais sincronizada que a técnica de remo apreendida!).
     Desde já fica registado o nosso franco agradecimento a todos quantos colaboraram connosco, não só pela amabilidade com que nos receberam como também pelo profissionalismo evidenciado.
     A todos os participantes um muito obrigado, esperando voltar-vos a encontrar em próximos eventos. Bem haja a todos!
     Que o Mero nos faça companhia por muitos anos.

     Bruno Berenguer, 29 de Setembro 2003