Expedição a Tenerife

 

        Numa iniciativa da Secção de Montanhismo do Ludi Gim Aventura Clube, um grupo de montanheiros do Clube efectuou uma expedição à descoberta de Tenerife, uma das sete ilhas que constituem o Arquipélago das Canárias.

        Como principal objectivo dos participantes, a subida ao Pico Teide foi um dos grandes momentos desta expedição. O ponto mais alto da Península Ibérica “El Teide”, com 3718 metros de altitude é um bonito vulcão de forma cónica, que permanece ainda activo, facto confirmado pela actividade de fumarolas na cratera.

        Tenerife revelou-se uma agradável surpresa nos seus aspectos naturais, arrepiando mesmo a grandeza do Parque Nacional de Las Cañadas del Teide, bem como o Maciço de Anaga, com uma rica mancha de Laurissilva.

 

 

Diário da expedição

 

Dia 6 de Setembro

 

22h00 - Partida da Madeira em viagem aérea para o Aeroporto Rainha Sofia situado no Sul de Tenerife. Deslocação para Porto de la Cruz, a Norte, onde ficou instalado o grupo.

 

Dia 7

 

        Visita de reconhecimento à cidade de “Porto de la Cruz”, compras para abastecimento da cozinha.

 

Dia 8

 

        Saímos pela manhã para Santa Cruz, a capital de Tenerife onde fomos tratar das autorizações para a subida ao Teide (no Escritório do Parque Nacional) e reservar a pernoita no refúgio Altavista (no Governo de Canárias). Tudo tratado, partimos em direcção ao maciço de Anaga na expectativa de descobrir e comparar a floresta Laurissilva com a que conhecemos na Madeira. Antes passamos por uma bonita e funcional praia artificial de areia amarela, a Playa de las Teresitas.

Quando subíamos em direcção ao Pico del Inglês (1024m), assistimos a uma brusca mudança de vegetação, surgindo as espécies características da Laurissilva.

Já no Monte de las Mercedes, paramos e fomos observar uma belíssima panorâmica sobre a floresta, a povoação de La Laguna e o sempre imponente Teide.

Aqui aproveitamos para fazer uma pequena incursão na floresta e constatamos uma grande variedade de espécies arbóreas, muitos fetos e líquenes.

De seguida fomos em direcção ao Parque Nacional de las Cañadas del Teide, onde iniciamos a subida ao Pico Teide.

        Eram 17h30, quando partimos pelo caminho de acesso à Montanha Blanca. Tínhamos 900 metros de desnível para vencer até ao refúgio Altavista (3260 metros). Foi para todos uma experiência nova caminhar sobre um manto de pedra-pomes, lembrando um cenário feito de “esferovite”.

Ultrapassada a Montanha Blanca a 2748 metros continuamos numa marcha lenta numa vertente de desnível acentuado entre duas escoadas de lava de cor negra. Pelas 20h estávamos chegando ao refúgio, um local acolhedor e muito bem equipado para a sua localização (luz eléctrica e disponibilidade de água, um verdadeiro luxo).

        Após um merecido descanso juntamos o farnel e tratamos do reabastecimento, aguardando pela distribuição das camaratas. Muito autoritário, o responsável do refúgio impôs as suas regras “sorteando” as camas pelos diversos grupos.

22h00 - Era hora de deitar pois o despertar estava marcado para as 5h da madrugada.

 

Dia 9

 

        Eram cinco da manhã quando se deu um despertar geral, sobressaindo um original sapo barulhento! Arrumamos a tralha, comemos e arrancamos, o céu estava limpo, a temperatura estava fresca e acentuava-se com vento que soprava forte. Tínhamos companhia, atrás subia outro grupo, juntos formávamos uma procissão de frontais Teide acima. O objectivo era alcançar o cume antes do Nascer-do-Sol.

        O frio fez acelerar o ritmo e rapidamente chegamos à Rambleta a 3550 metros de altitude, onde está a estação final do teleférico, a partir deste local faltavam 168 metros de altitude a vencer. O trilho para o cume estava mais exposto e o vento cada vez mais forte e carregado de poeiras, o que dificultava a progressão.

        Chegamos ao topo era 6h50, tiramos a foto da praxe ainda de noite e rapidamente montamos bivaque um pouco abaixo, pois o vento estava fortíssimo e só com muita dificuldade conseguíamos manter-nos em pé e com os olhos abertos.

        Esperamos quase uma hora enrolados nos sacos-cama (sentindo na pele e nos olhos a calma actividade deste vulcão, um “bafo” quente irradiava do solo e o tradicional cheiro a enxofre faziam-se sentir!) para assistir ao nascer-do-Sol e observar um verdadeiro espectáculo proporcionado pela projecção da sombra do Teide numa forma piramidal sobre as terras mais baixas, o mar e as nuvens.

        Depois destes belos momentos descemos até ao teleférico, aqui o grupo reduziu-se com duas baixas a seguirem por via aérea até à base. Os restantes elementos tinham outro desafio, a descida pela vertente Sudoeste com passagem pelo Pico Viejo (3117 m), uma bonita e bem definida cratera vulcânica.

        Foram quase 5 horas caminhando sobre um solo instável, requerendo uma destreza e equilibro constantes, descendo um desnível de 1500 metros. Mas valeu, pelas paisagens inóspitas e grandiosas, pouco vistas, pois o trajecto na parte inicial estava muito mal definido e a partir do Pico Viejo foi a corta mato, melhor dizendo, a corta pedras até à Boca de Tauce.

        Depois ainda houve força para uma visita aos Roques de Garcia, verdadeiros monumentos Naturais que proporcionam uma das imagens mais emblemáticas do Parque Nacional de las Cañadas del Teide.

        De regresso a casa, esperava-nos um jantar oferecido pela equipa de apoio ao Presidente, que havia ficado no acantonamento base!!!

 

Dia 10

 

        Um descanso merecido para curar as mazelas dos dias anteriores – um dia no Aqua-parque!

 

Dia 11

 

        Saímos pela manhã para percorrer muitos quilómetros de carro. Fomos visitar diversas localidades que fazem parte do roteiro turístico da ilha. Iniciamos pela La Orotava, uma vila cujo seu esplendor agrícola se reflecte nas suas ruas e edifícios, onde se destacam muitas casas senhoriais.

        Mais para cima oportunidade para observar o grandioso e aplanado vale de Orotava, repleto de Floresta.

        De regresso ao Parque Nacional de las Cañadas del Teide, visitamos o centro de visitantes de Portillo e ficamos a perceber melhor a formação do grandioso relevo que nos circundava.

        Seguiu-se mais uma paragem para um curto percurso pedestre, a subida à Montanha Mostaza(2100 m). Dai para a frente nova paragem nos Roques Garcia para mais um pequeno passeio em busca de novos enquadramentos fotográficos.

        Já na parte Sudoeste da Ilha descemos até “Los Gigantes”, uma povoação costeira acompanhada pelo “acantilado de los Gigantes”, um alto promontório com 500 metros. Daqui seguimos para Masca, uma pitoresca aldeia encaixada num vale profundo, com a estrada a lembrar as antigas que tínhamos na Madeira.

Buena Vista” foi a passagem que se seguiu. Esta povoação está repleta de plantações de banana, muitas delas dentro de estufas.

        Para terminar este longo dia, visitamos Garachico, uma aldeia muito arrumada junto ao mar parecendo com o nosso Porto Moniz, e Icod de los Vinhos, onde se encontra um dos símbolos de Tenerife, um Dragoeiro milenar, que se estima ter 2000 anos, uma verdadeira obra da Natureza.

 

Dia 12

 

        Um dia livre, aproveitado para algumas voltas pela cidade de Porto de la Cruz, visitar alguns jardins e parques, praia e uma ida ao Jardim Botânico.

 

Dia 13

 

        Regresso a casa começamos a planear a próxima …(Temos um convite para as Astúrias, Picos da Europa)!?