Diário de Viagem

 

Quinta-feira 01/06/06

A partida do Funchal foi logo de manhã, pelas 5 horas. Coitado do Gonçalo teve que se levantar bem cedo para nos dar uma boleia até ao aeroporto.

Felizmente o check-in correu bem pois, apesar dos receios não tínhamos excesso de bagagem, o que já nos começou a dar ideias do material que podíamos comprar em Espanha.

Felizmente as malas chegaram todas! Também tivemos alguma sorte com o carro que nos deram na Rent-a-car. Com um Opel Corsa sempre se consegue arrumar melhor a bagagem toda. Mas... de qualquer das maneiras, como arrumar tudo? Algumas coisas na bagageira e o restante foi no banco traseiro, este ficou mesmo só com espaço para uma pessoa.

Agora íamos dar início à parte mais cansativa destes dias... atravessar Portugal e Espanha de carro num só dia! Quantos Kms nos esperavam?

Antes de partirmos demos uma última vista de olhos ao mapa de estradas. O percurso que optamos fazer foi Lisboa – Évora – Badajoz – Madrid – Zaragoza – Huesca – Barbastro – Graus – Campo – Benasque.

Agora que estava tudo pronto, podíamos arrancar. 8:20 estávamos a sair do aeroporto. A entrada em Espanha ocorreu às 10:22, após percorrermos cerca de 205 Km. Pouco antes tínhamos pago a primeira portagem. Que roubalheira! Pagamos 14,5 € para sair de Portugal.

Perto de Badajoz encontramos a primeira placa que indica a distância para Madrid, são cerca de 400Km! Após verificarmos os preços em diferentes gasolineiras às 10:45, já estávamos perto de Mérida, fizemos a primeira paragem para abastecer o carro.

A viagem para Madrid é longa e as pancadas de sono eram muitas. Apenas quem ia no banco de trás é que tinha direito a dormir e por isso de vez em quando era necessário trocarmos todos de lugar.

Às 13:05 já tínhamos percorrido 450 Km e ainda nos faltavam 157 Km para chegar a Madrid. E o que ainda falta para chegar a Benasque?

Às 14:40 já vislumbrávamos Madrid à distância.

Esta etapa estava quase superada, não fosse o problema de não termos seguido na estrada correcta e termos ido bater ao centro de Madrid. E agora como se sai daqui? Não havia placas a assinalar como ir para Zaragoza... estivemos cerca de 20 minutos na cidade, até conseguimos encontrar a auto-estrada correcta. Pelo menos deu para aproveitar para tirar umas fotos da cidade.

Eram 15:15 quando saimos de Madrid, nesta altura já tínhamos feito 624 Km. Para Zaragoza são cerca de 290 Km. Mais umas boas horas de condução esperavam por nós!

Às 16:09 faltavam ainda 253Km para Zaragoza. Fizemos uma nova paragem para abastecimento do carro e para comermos qualquer coisa. Até aqui já tínhamos percorrido 712,8 Km.

A cerca de 25Km de Huesca, eram perto das 19:20, atingimos os 1000 Km de viagem. Já estávamos a andar de carro à 11 horas!

De Huesca para Barbastro são cerca de 128 Km que ainda são feitos pela estrada nacional. O pior vem depois, a estrada de Campo até Benasque é bastante sinuosa e estreita mas em compensação é muito bonita. Atravessamos um vale profundo ladeado de elevadas escarpas rochosas. Já era de noite e não víamos ninguém nas ruas nem nos cruzávamos com nenhum carro. Será que vamos no caminho certo?

Eram 22:45 quando finalmente chegamos ao Camping Aneto. Tínhamos acabado de percorrer 1170 Km, isto sem contarmos com os 1200 Km que percorremos de avião e os 16 Km que separam o Funchal do aeroporto da Madeira.

No parque de campismo estava tudo desligado e a recepção não tinha ninguém. Será que ainda nos deixam montar a tenda hoje?

Felizmente o pessoal é simpático e está sempre disponível. Podemos entrar à vontade. Montamos a tenda e pouco depois já estávamos a dormir. A viagem deixou-   -nos de rastos.

 

Sexta-feira 02/06/06

O8:20 foi a hora da alvorada. Embora não tenhamos programado o despertador, o canto dos pássaros começou bem cedo e já ninguém conseguia dormir mais. A tenda pareceu um pouco apertada para os três mas... temos que nos saber ajeitar. Esta noite o vento soprou bastante forte, testando a resistência da tenda. Pela manhã o vento ainda continuava forte e aguentou todo o dia. Como será que está lá em cima nas montanhas?

A primeira coisa que nos saltou à vista foi a ausência de neve dos picos que rodeiam o parque de campismo. Será que a neve já derreteu toda? Viemos muito tarde?

Uma vez que ainda estávamos desgatados de andar tantas horas de carro, aproveitamos a manhã para conhecer a cidade de Benasque e fazer algumas compras. O primeiro local a visitar foi a Barrabés. Esta loja tem 4 andares só de material, roupa e todo o equipamento que seja preciso para escalar, fazer esqui ou alpinismo. Embora estivessemos todos maravilhados com o tamanho da loja, os preços fizeram-nos abrandar um pouco a febre das compras...

A cidade é muito gira. Todos os edifícios são forrados a pedra e os telhados são cinzentos. Muitos edifícios são centenários, o que ainda dá um ar mais peculiar à cidade.

Pelas 13:00, após almoçarmos, resolvemos fazer uma visita a La Besurta (1890 m). Esta é a zona onde termina a estrada que vem de Benasque e onde se inicia o trilho para o refúgio de La Renclusa (2140 m). Aqui já se vislumbrava a NEVE!

Algumas pessoas acabavam de chegar aos carros e outros tantos preparavam-se para fazer uma caminhada. Com a neve e a curiosidade a nos chamar, resolvemos ir conhecer o refugio de La Renclusa. Este fica a cerca de 40 minutos do carro, e o trilho está bem assinalado e é de fácil progressão. São apenas 250 m de desnível.

Eram 14:40 quando chegamos ao refúgio. Aqui aproveitamos para lanchar e saber o custo da dormida no mesmo. Cada pessoa paga 12 € para dormir e se quiser jantar paga mais 13,00 €. Se também quisermos o pequeno-almoço são mais 4,5 €. Por acaso descobrimos que o refúgio só começou a ser guardado no dia 1 de Junho. Antes desta data, quem quisesse podia pernoitar no mesmo sem ter que pagar qualquer coisa.

Após apreciarmos a paisagem que nos rodeava, optamos por prolongar a caminhada e ir até ao Pico Paderna (2622 m). São cerca de 3,6 Km de distância e cerca de 750 m de desnível que foram feitos em pouco menos de 2 horas. Este pico fica a Oeste do Pico de Renclusa e a caminhada é muito bonita. Passamos por uns campos verdejantes e umas lagoas grandes (ibones de Paderna) e depois atravessamos uma zona de blocos de granito. O mais desgastante é a subida final, ora por zonas relvadas, ora por zonas de terra e pedra.

Tínhamos saído do refúgio às 15:07 e chegamos ao topo do Paderna às 16:50. Durante este tempo fizemos diversas paragens para as fotos da praxe e até para tentar fotografar as Marmotas (Marmota marmota) que de vez em quando surgiam por entre grandes blocos de granito.

A descida levou sensivelmente o mesmo tempo. A chegada ao refúgio ocorreu às 18:50 e quarenta minutos depois já estávamos junto do carro.

A fome já começava a apertar e despachamo-nos para ir ao supermercado e depois cozinhar. Hoje o menu foi Macarrão com bifes de porco. Muito bom para recuperar as energias!

 

Sábado 03/06/06

Hoje acordamos um pouco mais tarde, eram 09:20 quando o primeiro elemento abandonou a tenda. Quisemos repousar um pouco mais porque prevíamos subir ao Aneto no dia seguinte.

Os nossos planos previam a realização das últimas compras (material e alimentação) na parte da manhã, arrumar as mochilas com o material indispensável e a meio da tarde subir para o refugio onde passaríamos a noite.

Eram 14:30 quando saímos do parque de campismo em direcção a La Besurta. Infelizmente nem nos lembrávamos que era sábado e que havia a possibilidade de muita gente aproveitar o fim-de-semana para vir passear por estes lados. A chegada a La Besurta foi atribolada. A cerca de 400 m do final da estrada, já existiam dezenas de carros estacionados e muitas pessoas com mochilas e piolet a se dirigirem para o percurso que liga ao refugio La Renclusa. Olhávamos na direcção do refúgio e víamos dezenas de pessoas a descer pela neve, pelo trilho usado para ascender ao Pico Aneto e a outros picos circundantes. Quantas pessoas não estarão lá em cima e ainda mais as que ainda vão chegar para pernoitar no refugio?

Resolvemos adiar a nossa subida por um dia. É muita gente e muita confusão... além do mais não tínhamos reservado o refúgio e havia a possibilidade de chegarmos lá e já não haver lugar para nós.

Optamos por fazer uma caminhada de cerca de 4 Km no Vale de Remuñe até à Pileta dels Capellons. Depois desta caminhada fomos à Escuela de Alta Montaña visitar o rocódromo e pedir mais informações sobre os locais de escalada em Benasque.

Antes do jantar, aproveitamos ainda para conhecer a povoação de Cerler, situada a 1500 m de altitude e que é a base de uma estância de esqui situada a 1900 m altitude. Nesta época do ano a estância não está activa mas podemos observar as 18 pistas e os diversos teleféricos que levam os veraneantes até aos picos circundantes.

Eram 20:10 quando começamos a preparar o jantar. Hoje quisemos nos deitar cedo porque amanhã queremos subir cedo para o refúgio para descansar e observar o regresso do pessoal que subiu ao Aneto.

 

Domingo 04/06/06

Hoje eram 7:30 quando o despertador começou a tocar.

Quando chegamos a La Besurta o panorama não era muito diferente do dia anterior. No estacionamento já estavam cerca de 100 carros. Muitos destes deviam ser de pessoas que subiram para o refúgio no dia anterior ou mesmo daqueles que partiram hoje cedo.

O refúgio tem excelentes condições, logo à entrada existe uma sala para deixar as botas e calçar umas chinelas disponibilizadas para esse efeito. A sala de jantar é grande e deve albergar cerca de 40 pessoas. Os quartos têm beliches com colchões e dois cobertores por cama. O material metálico, tipo crampons e piolet, também não pode ser levado para os quartos, ficando guardado num cacife.

Por volta das 11:00 fomos conhecer o início do trilho para o Aneto e depois aproveitamos para subir algumas pendentes de neve com 45/55º, por forma a nos ambientarmos ao terreno que teríamos de enfrentar no dia seguinte.

Eram 15:30 quando voltamos para o refúgio e aproveitamos para descansar. Optamos por jantar no refúgio e este foi uma boa surpresa! O menu foi canja, salada fria com queijo e o prato principal foi chouriços frescos com cogumelos e cebola. Para quem não gostasse de chouriço era possível pedir um prato vegetariano – macarrão com azeite e oregãos. Para terminar ainda tivemos direito a uma sobremesa (pão de ló com creme de leite e canela). Se quiséssemos ainda tínhamos direito a um café ou chá.

Às 20:40 e já estávamos a arrumar tudo para o dia seguinte e a preparar a cama para dormir. Amanhã o despertador toca às 4:00!

 

Segunda-feira 05/06/06

Hoje foi o dia dedicado a atingirmos o principal objectivo desta expedição – Pico Aneto (3404 m) e para tal a jornada teve de começar bem cedo. Após nos equiparmos e nos alimentarmos bem, saimos do refúgio às 5:00. Uma grande caminhada esperava por nós!

Ainda estava de noite quando começamos a andar mas conseguia-se identificar bem o trilho e sempre que surgia alguma dúvida procurávamos os “mujones” (pequenos amontoados de pedras) que nos indicavam a direcção certa. À nossa frente já seguiam 3 pessoas.

Passada uma hora chegamos à zona de neve. Era altura de colocar os crampons. O próximo passo era atingir o Portillón Superior (2870 m) mas para lá chegarmos enfrentávamos uma pendente bastante inclinada de neve (cerca de 45º). Chegamos às 7:30. Aqui passou por nós um francês que seguia sozinho para o pico.

Daqui já se conseguia vislumbrar o glaciar e o Pico Aneto. Parecia tão perto mas... muitos kms ainda teríamos de percorrer. Eram 8:50 quando chegamos ao Collado de Corones (3208 m), perto da base do Aneto. Antes de iniciarmos a subida final, fizemos uma pequena paragem para reabastecer e tirar fotos. Esta última fase foi a mais dura ao nível físico. A inclinação era acentuada e os pés enterravam-se bastante na neve.

Estávamos quase no topo mas ainda faltava o famoso “Passo de Mahoma”. Esta é uma zona rochosa, com grandes blocos de granito, encaixados uns nos outros. Esta passagem é completamente exposta e o mais pequeno deslize implica uma queda de várias centenas de metros.

Felizmente correu tudo bem e às 9:50 encontrávamo-nos os 3 no topo do pico mais alto da cordilheira dos Pirinéus. Após as fotos da praxe e novo reabastecimento, saímos do pico às 10:20 e chegamos ao refúgio às 14:10. Levamos 9 horas (ida e volta) para percorrer os 5,8 Km que separam o refúgio da Renclusa do pico Aneto, num desnível de 1270 m. Mais quarenta minutos e chegamos a La Besurta e regressamos à tenda.

Depois de um bom banho, desarrumarmos as mochilas e colocarmos o material a secar, fomos ao supermercado. Hoje o menu para o jantar foi arroz de frango.

 

Terça-feira 06/06/06

 De manhã mudamos a tenda de lugar por causa das formigas. Eram tantas! Já não conseguíamos abrir a porta da tenda sem que entrassem umas quantas para os sacos-cama.

Hoje foi dia de relaxe e por tal resolvemos fazer uma via ferrata. Fica mesmo aqui ao pé do parque de campismo. Esta via denominada Sacs tem 500 m de extensão e 300 m de desnível.

Começamos às 11:30 e só acabamos às 15:30. Após começarmos outras 3 pessoas começaram a fazer a via e uma vez que eles vinham com mais velocidade, a determinada altura deixámo-los passar para a frente. Assim aproveitamos para descansar cerca de 30 minutos porque depois ainda vinha a parte pior! A parte superior da via era bastante desaprumada e aqui os braços já tiveram que trabalhar mais.

Olhando para a estrada sentíamo-nos tão pequeninos..., estávamos cada vez mais altos e a dificuldade da via parecia que aumentava.

Apesar da via ser mais dura do que estávamos à espera, a satisfação era geral e o topo da via era espectacular! Conseguíamos vislumbrar todo o parque de campismo e parte da cidade de Benasque e da povoação de Cerler.

A partir daqui havia um trilho que nos levava de volta ao carro. Durante o percurso o Nunes teve um encontro imediato com uma cobra! Felizmente ela fugiu por entre os arbustos. O Nunes ficou branco!

Hoje ainda antes de nos deitarmos estivemos a arrumar as bolsas porque amanhã vamos para o refúgio de Corones e só voltamos no dia seguinte. A partir deste refúgio existem diversos picos a que podemos ir e outros trilhos que podemos fazer.

 

Quarta-feira 07/06/06

O despertador tocou às 6:00 e mais uma vez nos pusemos a caminho. Desta vez o nosso destino foi o Plan de Senarta (1375 m) onde deixamos o carro. Para chegarmos ao refúgio de Corones (1970 m) temos de subir cerca de 2 horas e 30 minutos por uma estrada de terra batida. Eram 7:20 quando começamos a caminhar.

As mochilas estavam um pouco mais pesadas que o habitual. Trouxemos mais roupas, o fogão, panela e mais comer. Após uma hora a subir resolvemos descansar um pouco. Quando estávamos no nosso descanso apareceu um espanhol simpático que se ofereceu para nos dar uma boleia até ao refúgio. Que sorte!

Este refúgio não tem nada a ver com o de La Renclusa. É uma casa muito mais pequena e não está guardada. A primeira impressão é má. O refúgio está sujito e contempla apenas uma sala com uma espécie de beliche que só tem uma tábua de madeira. Não há colchões nem cobertores. Mais à direita tem uma mesa e cadeiras para as refeições. A lareira está cheia de lixo...

Hoje decidimos ir ao Tuca de Culebres (3062 m). São cerca de 3,5 Km a partir do refúgio de Corones, num desnível de 1090 metros.

Eram 9:00 quando saímos do refúgio em direcção ao Vale de Vallibierna. Uma vez que no refúgio não é possível deixar nada, tivemos de optar por arranjar um esconderijo para deixar o material e o comer que não íamos precisar.

Inicialmente o percurso atravessa uma zona de pasto de vacas, cheio de erva e todo muito verde. À medida que vamos ganhando altitude a erva vai dando lugar à terra e às pedras. A inclinação era cada vez maior e as pedras transformaram-se numa cascalheira.

Eram 12:40 quando atingimos o colo de Culebres. Do colo até ao topo levamos mais uma hora e 10 minutos. Após as fotos da praxe e paragem para comer e beber, saímos do topo às 14:40 e chegamos ao refúgio às 18:05.

Após refrescarmos os pés no riacho, preparamos o jantar (sopas e massas instantâneas).

Quando o relógio deu as 21:00 já estávamos deitados.

Optamos por não trazer os sacos-cama porque era um peso extra e preferimos trazer mais alguma roupa para ir vestindo consoante a noite arrefecesse. Por acaso lembramo-nos das mantas térmicas que estão nas bolsas de primeiros socorros. Uma foi colocada junto à madeira do beliche e a outra serviu para nos cobrir. Foi uma bela noite de sono!

 

Quinta-feira 08/06/06

O despertador começou a tocar às 4:30 mas hoje estávamos um pouco mais malandros e só nos levantamos às 5:20. Saímos do refúgio às 6:00 com destino ao Pico de Araguells (3044m). São 4,5 Km de distância e cerca de 1070m de desnível que temos de ultrapassar.

O percurso que liga o refúgio a este pico é um dos mais bonitos que fizemos. Inicialmente percorremos um trilho pela floresta que depois foi dando lugar aos campos verdejantes e aos blocos de pedra. Após ultrapassarmos a primeira subida, ao longo de uma cascata e sobre grandes pedras de granito, chegamos ao primeiro lago que íamos encontrar, o Ibonete de Corones.

A subida continou por entre a erva e os blocos de rocha e logo após chegamos ao Ibon inferior. Aqui a neve já fazia parte da paisagem e o lago estava parcialmente gelado. Um pouco mais acima encontramos o Ibón del médio. À medida que ganhávamos altitude as dimensões dos lagos também aumentavam e, sabíamos que ao chegar ao topo do pico íamos conseguir ver um dos maiores lagos do Parque Natural Posets-Maladeta – o Ibón de Cregueña. 

Após uma curta caminhada pela neve e posteriormente pelos blocos de pedra, atingimos o topo do Pico Araguells às 10:10.

Daqui a vista é espectacular... além do lago e de todas as montanhas que nos rodeiam, ainda conseguimos observar as pessoas que chegam ao Aneto e as que já começam a regressar.

O regresso do pico foi feito em aproximadamente 3 horas e meia. Mas o pior ainda estava para vir... descer os 7,6 km de estrada de terra batida até ao carro. Infelizmente desta vez não tivemos sorte em apanhar uma boleia. Fizemos uma 1 hora e 45 minutos, com sol a escaldar e as meias a colar à sola dos pés.

Depois de um reforçado jantar fomos até à cidade para relaxar e conhecer o ambiente nocturno da mesma. Às 23:00 já estávamos todos na tenda para dormir.

 

Sexta-feira 09/06/06

Hoje não programamos o despertador porque quisemos aproveitar para descansar, mas ainda eram 8:30 quando nos levantamos.

 

Hoje o dia foi reservado para escalar na escola de escalada de Benasque que fica aqui mesmo ao pé do parque de campismo. Encontramos inúmeras vias com diversos graus de dificuldade e que estão todas equipadas para escalada desportiva.

Tínhamos conhecimento que as previsões meteorológicas apontavam para chuva e trovoada mas o dia estava tão bom que pensávamos que provavelmente seria apenas para as montanhas.

Estivemos a escalar até às 14:00 horas, o tempo já tinha começado a piorar e já ninguém conseguia aguentar muito tempo os pés de gato calçados, devido aos pés inchados.

Ainda antes de regressarmos à tenda para arrumarmos as bolsas, porque vamos partir amanhã cedo para Portugal, aproveitamos para ir dar uma volta para conhecer os banhos de Benasque e nos despedirmos da montanha. Aqui já começava a chover.

Enquanto arrumávamos as bolsas o céu começou a ficar negro e os trovões começaram a rugir... a tempestade estava cada vez mais próxima. Pouco depois de termos arrumado tudo a chuva começou a cair em força. Eram 17:00 quando estávamos todos arrumados no carro, lá fora chuvia bem, os trovões não paravam de rugir e até já tinham caído pedras de granizo.

Neste momento só tínhamos a tenda montada com os colchões e os sacos-cama lá dentro. Questionávamo-nos se a tenda iria superar a chuvada e se hoje não teríamos de dormir no carro.

Uma vez que com a chuva não podíamos fazer nada, aproveitamos para pagar o parque de campismo e dar uma última volta pela cidade e pelas lojas. Hoje também não podemos cozinhar, pelo que optamos por jantar fora. E agora para encontar um restaurante bom e com preços acessíveis? Outro problema é que a maioria dos restaurantes estão fechados e muitos só abrem depois das 21:00.

Após muitas voltas chegamos a acordo para comer no restaurante El Puente II, tem uma boa variedade de pratos e os preços são semelhantes aos praticados na Madeira. Descobrimos também que os pratos são grandes e bem servidos!

Eram perto das 20:30 quando regressamos ao parque e a chuva e os relâmpagos ainda não tinham parado. Felizmente a tenda aguentou-se bem, nem uma gota de água no seu interior e os sacos-cama estão sequinhos.

Com este tempo só nos restava dormir... ainda por cima amanhã o despertador vai tocar às 05:45.

 

Sábado 10/06/06

Partimos do Parque às 7:15 e o conta quilómetros marcava 1437 km. Estes eram os kms que tínhamos feito desde que saimos de Lisboa.

Para regressar optamos por fazer outro caminho, descendo de Castejón de Sós para Barbastro e daqui para Huesca. De resto o caminho foi igual à ida. 

Ao chegar a Huesca fizemos um desvio para visitar o Outlet Store da Barrabés. Aqui concentram-se os restos de stock de roupa e o material também é mais barato. No entanto, esperávamos que tivesse uma maior variedade de produtos. Chegamos por volta das 10:30 e arrancamos às 11:00.

Antes de chegar a Madrid fizemos ainda outro desvio para visitar a Decathlon, estivemos lá cerca de 40 minutos, saindo às 15:20. Depois é que foi o problema, não entramos outra vez na estrada certa e fomos bater aos arredores de Madrid. Desta vez a visita foi mais longa, levamos cerca de uma hora para conseguir descobrir o caminho para Badajoz, isto depois de uma visita ao aeroporto de Madrid para reorientar.

Em Badajoz quisemos conhecer um pouco da cidade e aproveitamos para ir ao El Corte Inglês. Antes de partirmos enchemos o depósito do carro, porque a diferença de preços em relação a Portugal é de cerca de 0,20 € por litro.

Chegamos a Portugal quando já eram 21:00. É incrível como atravessamos toda a Espanha e não pagamos qualquer portagem. Aqui, mal acabamos de chegar já tivemos que pagar 5 €.

Desta vez optamos por ir passar a noite a Évora, só tínhamos que arranjar um local para dormir. Já chegamos a Évora perto das 22:00 e ainda queríamos jantar. Por acaso conseguimos encontrar uma residencial agradável e que tinha quartos triplos. Agora só faltava jantar... O único local que encontramos foi uma casa de frangos. A esta hora já comíamos qualquer coisa.

          

Domingo 11/06/06

 

 De manhã aproveitamos para conhecer melhor a cidade de Évora, que é Património mundial. De seguida fomos para Montijo, onde ainda aproveitamos para fazer uma visita à Decathlon. Aqui já se notou uma diferença de preços em relação à Decathlon de Madrid.

Queríamos embarcar no avião das 15:00 e já começava a se fazer tarde... Ainda tinhamos que ir ao balcão da TAP fazer a alteração.

Chegados ao aeroporto e depois de alterarmos a viagem, fomos entregar o carro. Demos uma última vista de olhos ao conta quilómetros e este indicava 2738 Km! Quando chegamos ao balcão de check-in este já estava a fechar mas ainda conseguimos fazer o nosso.

O problema surgiu quando passamos no controlo de bagagem de mão e raio X. Para evitarmos ter excesso de peso, levamos algumas das coisas mais pesadas connosco, nomeadamente as botas e o material metálico de escalada. Primeiro o polícia pegou com as botas do Ferro e exigiu que ele passasse descalço e que as botas passassem no raio x.

Mais complicada foi a situação do Nunes. A mochila dele tinha a corda, friends, entaladores e mosquetões. O pessoal da segurança pediu logo para abrir a bolsa e disse que aquele material não poderia ir connosco. Teria que ir na bagagem de porão. Exigiam que ele fosse falar com a companhia para poder colocar o material na sua bagagem. Tentamos explicar que o check-in já tinha fechado e que já estávamos atrasados para o embarque. A resposta dos senhores foi que aquilo não poderia passar e que a única solução seria alguém enviar por correio. E nós questionamos mas quem? Não temos aqui ninguém para fazer isso. A última solução apontada pelos seguranças era deixar lá o material que posteriormente seria destruído. É óbvio que esta hipótese não era viável... Após diversas tentativas em convencê-los, lá acabamos por conseguir passar com todo o material. Fizeram apenas um último aviso para evitar que a situação se repetisse.

Agora toca a correr para ver se ainda chegamos a tempo... felizmente o voo estava ligeiramente atrasado... Lá conseguimos embarcar e assim terminou os onze dias da nossa expedição.