I Raid Madeira Norte-Sul

1 de Dezembro de 2008

Um desafio cumprido pela primeira vez! O Clube Aventura da Madeira organizou e colocou a proposta aos caminheiros mais experimentados - Atravessar a Madeira de Norte para Sul, na sua maior largura, subindo o maciço montanhoso Oriental pela vertente Norte, passar pelo Pico Ruivo de Santana e pelo Pico do Areeiro e descer até à costa Sul, na Ponta da Cruz.

Num dia algo cinzento, os nove participantes que aceitaram o desafio partiram pelas 8h40 do calhau de São Jorge e depois das fotos para a posterioridade, puseram-se a caminho rumo à Freguesia da Ilha.

Bonitos caminhos antigos, alguns parcialmente ocupados pela vegetação que cresce abundantemente e por entre vinhas, campos de inhames e pequenos poios de hortaliça, o grupo chegou ao centro da Freguesia da Ilha, local para um breve reabastecimento e preparar-se para a chuva que começou a cair.

O percurso continuou seguindo a linha de cumeada que passa pelo Posto Florestal do Vale da Lapa e liga a Freguesia da Ilha ao Pico Ruivo. Um caminho muito bonito, esculpido na terra, semelhante a um túnel, com paredes altas e cobertura de vegetação densa, em algumas passagens. Os degraus são uma constante, assim como, um rasgo de erosão escavado pelas águas das chuvas e pelo arrasto de madeiras. Na parte superior deste caminho, acima da ligação com a Levada do Caldeirão Verde, o pavimento passa a ser calçado com enormes pedras, que facilitavam o deslizamento de corsas e madeiras. A flora diversificada com espécies autóctones da Laurissilva e outras exóticas que mostram a intervenção humana ladeia a vereda.

Ao fim de cerca de 4 horas, 1700 metros de desnível e +- 12km de caminho, o grupo chega à vereda de ligação Achada do Teixeira – Pico Ruivo de Santana, faz mais uma paragem, agora com algumas abertas no nevoeiro e sem chuva. Um elemento com um problema físico aproveita a oportunidade e fica pela Achada do Teixeira, deixando para outro ano a conclusão do desafio.

A partir do sopé do Pico Ruivo de Santana, a meta seguinte foi o Pico do Areeiro, num percurso agora mais suave devido à opção de passagem pelo túnel que atravessa o Pico das Torres e mais alguns que o ladeiam na vertente virada para o vale do Curral das Freiras. Seis horas depois de sair de São Jorge os caminheiros chegam ao terceiro pico mais alto da ilha e após um reabastecimento num sítio com “civilização”, desceram pelo vale da Ribeira de Santa Luzia até à madre da Levada da Negra, e continuaram neste pequeno canal até à Barreira, em Santo António. Pelo meio, raras paisagens das serras escalvadas de São Roque e Santo António, agora com muitas árvores plantadas e do vale grandioso da Ribeira de Santo António, que ao chegar ao Funchal muda de nome para São João. Por aqui, por momentos, já se vê o Funchal ao fundo na paisagem.

Chegados à Barreira, os eucaliptos e os pinheiros bravos foram companhia numa descida vertiginosa e penosa junto da levada, num caminho por vezes calçado com degraus arredondados, ainda com pequenas lascas de madeira, que antes por ali deslizou. As primeiras casas anunciaram uma íngreme estrada de cimento e mais tarde de asfalto. Todo o anfiteatro do Funchal surge em linha de vista! Só faltavam cerca de 8km para completar o desafio e 700 metros de desnível para descer.

Agora caminhando pela civilização rural das zonas altas do Funchal, ruas, ruelas e becos foram as vias de progressão. Quintais floridos, animais de estimação e peculiares traços arquitectónicos das casas madeirenses de encosta, ocuparam a atenção dos participantes, que confiantes na ajuda dos bastões passavam-se por “estrangeiros” vindos da serra, mas os joelhos agradeciam!

Os caminhos mais largos e os “blocos de vivendas” dão sinal de aproximação ao destino final, Courelas, São Martinho foram locais de passagem para concluir já de noite, junto à estátua do descobridor João Gonçalves Zarco, nas imediações da Ponta da Cruz, a latitude mais a Sul na ilha da Madeira.

Oito finalistas concluíram o desafio, 10 horas e 11 minutos depois de saírem do calhau de São Jorge chegaram à Ponta da Cruz, no Funchal, cerca 31km medidos sobre o mapa, subidas e descidas, e muita satisfação foram os tónicos finais para a fotografia para mais tarde recordar! Para o ano haverá mais!