I Raid Porto Santo Lés a Lés

7 e 8 de Março 2009

O Clube Aventura da Madeira realizou a primeira edição do Raid Porto Santo Lés a Lés, levando a marcha de montanha em autonomia à Ilha Dourada. Esta iniciativa mostrou que o Porto Santo reúne boas condições para a prática de montanha e paisagens diversificadas para além do emblemático areal dourado.

Depois de uma viagem no Navio Lobo-Marinho algo atribulada, com a vaga entre os três e os quatro metros e com um céu carregado de nuvens escuras, os participantes iniciaram a marcha em pleno porto. Antes, breves acomodações de material e a primeira foto de grupo. Começou a descoberta, que só terminaria no dia seguinte novamente no barco. Logo à saída do porto, foi subir em atalho para o Cabeço de Nossa Senhora da Graça, um bonito exporão rochoso, com muitas urzes, musgos e líquenes de múltiplas cores e com excelentes panorâmicas sobre a Cidade Vila Baleira.

O Porto Santo com prados verdes é uma visão diferente do habitual. O tempo fresco e algo húmido pelos chuviscos esporádicos fez o grupo escolher o caminho tendo em conta a altura da vegetação, para evitar encharcar o calçado. O objectivo seguinte desde cedo esteve à vista de todos – um pico com aspecto cónico que antigamente tinha uma fortificação para refúgio dos habitantes aquando dos ataques dos piratas, daí que tenha o nome de Pico Castelo. Não é muito alto, tem 437 metros de altitude. Duas horas e pouco depois da partida e com uma marcha compassada, o grupo chegou ao topo reunindo os sete participantes para nova foto de grupo.

As refeições ligeiras sucediam-se na esperança ténue de que as mochilas para o fim-de-semana ficassem mais leves rapidamente! Subimos o Pico Castelo pela face Sudeste e descemos pelo Norte, derivando em direcção ao Pico do Facho, o nosso próximo objectivo.

Mal acabamos a descida no colo entre estes dois importantes picos de Porto Santo, subimos ziguezagueando por entre os pinheiros até chegar ao afloramento rochoso que caracteriza o Pico do Facho, o mais alto de Porto Santo, com 516 metros de altitude.

Deixamos parte do peso na base e em breves passes de escalada subimos ao topo. Uma vista magnífica sobre o Porto Santo, afinal o ponto mais alto da ilha. Descemos para Este e seguimos até ao Pico da Gandaia (484 metros) que escolhemos para um refeição mais avantajada.

O objectivo seguinte fez-nos contornar o Pico do Facho pela face Nordeste, seguindo um pequeno trilho, em algumas partes exposto e com musgos no piso e urzes ladeando a passagem. Depois descemos até ao colo de acesso ao Pico Juliana. Por momentos parecia que estávamos a percorrer um dos caminhos que facilmente encontramos na Madeira.

O Pico Juliana com 440 metros de altitude, tem um aspecto imponente com um afloramento rochoso de enormes dimensões, ao longe o acesso ao topo parece não muito fácil, mas a aproximação revelou que é uma caminhada sem grandes obstáculos e a panorâmica compensa. Pico Branco, Serra de Dentro, Pico do Facho e Pedregal preenchiam a paisagem envolvente.

Já o dia se adiantava, tínhamos pouco mais de duas horas de luz, descemos até ao sopé do Pico Castelo, empreendendo a subida a directo, por entre as casas abandonadas, e tendo por mira um filão rochoso que nos levaria à aresta Sul do Pico Branco onde interceptamos a vereda de acesso à Terra Chã. No final da subida a chuva miudinha marcou presença aumentando a dificuldade de andar em cima das rochas, e o cansaço de um dia de mochila carregada com alimentação e casa às costas já pesava, por entre uns incentivos e umas boleias de material chegamos ao anoitecer junto da casa no topo da Terra Chã, escolhemos um local mais abrigado e montamos as tendas para a pernoita antes que caísse a noite. Foi um ápice, e logo estavam alguns participantes retirando da mochila as iguarias reservadas para o jantar retemperador, até uma “massinha” com vegetais veio às costas desde a Madeira, um luxo para montanheiros fora do lar. O nevoeiro envolveu-nos na noite tirando um pouco a beleza nocturna deste local mágico, o vento soprava forte, mas não “pegava” com as nossas tendas abrigadas. Durante a noite ainda fomos brindados com umas chuvinhas mais abundantes mas nada que as tendas não tivessem aguentado, excepto uma que possuía um sistema de refrigeração algo húmido.

O amanhecer não foi diferente, as nuvens bordejavam o Pico Branco, pequeno-almoço tomado, uma visita aos arredores, as fotos da praxe e partimos para o segundo dia. Seguiu-se a caminhada até ao topo do Pico Branco, o terceiro mais alto de Porto Santo com 450 metros de altitude. A vista não estava famosa, o nevoeiro impedia grandes visões, mas os musgos de cor amarelo alaranjado davam um toque diferente e bonito na descida e eram motivo de fotografia.

Seguimos o caminho em direcção ao Pedregal, bonitas formações prismáticas pelo caminho motivaram mais umas fotos e em pouco tempo estávamos a caminho da Fonte da Areia, antes passamos por uma bonita ponte antiga, onde passava uma drenagem para captar água para uma pequena albufeira.

Mais uns quilómetros e o grupo chegava à Fonte da Areia, seguindo pelo bordo das falésias de vez em quando para apreciar a costa Norte. Mais à frente, o campo de golfe marcava uma viragem na paisagem, com o tapete verde muito bem aparado os caminhantes pararam para um lanche e para algumas poses golfistas. O que valeu foi que podemos atravessar a parte Norte do campo, pois a ocupação foi até ao limite da falésia, seguimos depois pelo topo do Pico do Espigão (270 metros) até à zona sobranceira aos Morenos, altura que o cansaço de alguns elementos do grupo acentuava-se e recomendava uma viragem para a praia, para uma caminhada suave de volta ao porto, no outro extremo da praia. Antes uma passagem pelo centro, para umas uns bolinhos e sandes avantajadas, preparando o estômago para a viagem. No caminho entre a Vila Baleira e o navio Lobo Marinho, uma “molha” final, chuva grossa por alguns momentos ameaçaram o conforto do vestuário final, mas foi de pouca dura e 18h e pouco de Domingo, 8 de Março estávamos entrando no barco de regresso a casa.

Um excelente fim-de-semana de montanha em Porto Santo, mostrando a ilha para além da praia! Para o ano voltaremos!