XI Raid Madeira Lés-a-Lés

9, 10 e 11 de Julho de 2010

O Clube Aventura da Madeira concretizou a 11.ª edição do Raid Madeira Lés-a-Lés no passado fim-de-semana de 9, 10 e 11 de Julho de 2010. Ao longo de onze anos esta iniciativa pioneira e inspiradora de muitas outras actividades do género tem desafiado a superação de caminheiros experientes e outros, que ano após ano vão tentando melhorar a resistência para fazer uma travessia integral pedestre da Ilha da Madeira, de Oeste para Este.

Sexta-feira dia 9 de Julho, o Farol da Ponta do Pargo assistiu aos primeiros passos dos participantes, este ano com o movimento anormal das obras que transformarão este extremo da ilha num campo de golfe.

O grupo partiu com entusiasmo tendo pela frente uma dificuldade anunciada pela meteorologia, calor intenso. A primeira etapa atravessa os campos agrícolas e casario da Freguesia até que se atinge a cota levada da central Hidroeléctrica da Calheta, a partir daí, os caminhos florestais foram opção até ao sítio do Ponto, já a caminho do Paul da Serra. Evitando um pouco de asfalto aumentou-se os quilómetros e o objectivo de chegar à Encumeada ficou mais extenso.

A opção mais curta de atravessar a zona Paul da Serra pelas Rabaças, que ficou danificada pelo temporal de 20 de Fevereiro, motivou a escolha de outra opção, atravessar pelo planalto e descer para a Encumeada pela Bica da Cana, Pináculo, Levada do Lombo do Mouro. Quase doze horas após a saída da Ponta do Pargo, com muito calor durante toda a marcha, mas com alguns descansos retemperadores, os caminheiros chegaram ao local da pernoita no Chão dos Louros e a logística já tinha uma consistente sopa de legumes cozida a lenha a cheirar e mais uma massa para um energético segundo prato, mas antes, foi tempo para o última tarefa, montar a tenda para o abrigo nocturno, que os 42 km percorridos encarregaram-se de servir como incentivo a um sono profundo.

Sábado, despertar pelas 8h00, para um pequeno-almoço com pão quente vindo da padaria da marginal de São Vicente, que é a normal rotina do segundo dia do Raid, que juntou mais três caminheiros ao grupo para as duas últimas etapas.

A segunda etapa bem mais curta, mas dura pelos desníveis a vencer, liga a Encumeada ao Chão do Areeiro, passando por diversas elevações da cordilheira central da ilha, com destaque para os picos Encumeada, Ferreiro, Casado, Jorge, Ruivo de Santana, Torres, Gato, Cidrão e finalmente o Pico do Areeiro, onde toma forma uma extensão em altitude para garantir a segurança do País, o Radar. O Sol exposto e o calor foram novamente companheiros durante todo o dia, após 7 horas de marcha, cerca de 22 kms de marcha, os caminheiros mais resistentes apareciam junto da equipa do jantar, desta vez ainda nos preparativos iniciais da refeição. O pôr-do-Sol ainda estava longe e houve tempo para muito convívio, em que as recordações mais hilariantes das diversas edições anteriores e uma sessão de alongamentos à mistura com umas bebidas frescas e aperitivos fizeram passaram o tempo passar rapidamente até ao esperado primeiro prato, uma doce sopa de castanhas com pão e manteiga. Para completar o menu, uma suculenta espetada, batatas cozidas com orégãos e uma salada refrescante, foi comer até não poder mais, para mais uma noite retemperadora, desta vez no conforto da Casa do Areeiro.

Domingo, a derradeira etapa, com cerca de 36kms, mas com desnível mais suave, descer cerca 1600 metros de desnível do Chão do Areeiro até à Baia d´Abra.

O despertar mais cedo, pelas 7h15, deu lugar a mais um pequeno-almoço novamente com pão quente proporcionado pela organização que acordou cedo na padaria. A partida pelas 8h00 permitiu avançar ainda pela frescura na ligação ao Poiso, para um itinerário semelhante aos anos anteriores pelo Pico do Suna, Portela, Funduras e Boca do Risco, onde o percurso seguiu uma inovação apreciada pela maioria, embora, com a presença da feiteira e por vezes carqueja. Neste trajecto os resistentes seguiram para o Caniçal pela aresta Norte num arrojado mas deslumbrante itinerário até ao Pico da Cancela e Dunas da Piedade. Para finalizar, a passagem pelo miradouro do Rosto e descida para a Baia de Abra.

Pelas 18h00 iniciava-se a sessão de fotos que regista o grupo e os resistentes que o corpo logrou resistir aos 100kms num ritmo moderado. Para o ano há mais e entretanto para os amantes destas aventuras segue-se o II Raid Porto Santo Lés-a-Lés, lá para Outubro, quando o tempo ficar mais fresco pela Ilha Dourada.