XII Raid Madeira Lés a Lés

9, 10 e 11 de Setembro de 2011

O Clube Aventura da Madeira realizou a 12.ª edição do Raid Madeira Lés a Lés, um evento de marcha de montanha que levou um grupo de entusiastas dos percursos a pé da Ponta do Pargo até à Ponta de São Lourenço. Esta iniciativa teve a sua primeira edição no ano 2000 e tem despoletado muitos outros desafios de âmbito individual e eventos competitivos.

Foram três dias a um ritmo moderado, com paragens e descanso nocturno, para completar os cerca de 100km do desafio, onde o objectivo de concluir a travessia supera o cansaço e relativiza as pequenas mazelas.

No primeiro dia, como já é tradição, a partida em viatura do Funchal pelas 7h30 rumo ao Farol da Ponta do Pargo. No extremo Oeste da ilha, seguem-se as fotos da praxe. A temperatura estava fresca, o céu parcialmente nublado, quando pelas 9h o grupo partiu rumo à Fonte do Bispo, onde se deu a primeira pausa mais prolongada para um reabastecimento mais completo, após 3h de caminhada.

De seguida o grupo ladeia a estrada em direcção ao Rabaçal com panorâmicas alternadas entre o vale da Ribeira da Janela e o Fanal, no lado Norte, e os Prazeres e a Calheta, no lado Sul. A paragem seguinte é na lagoa da câmara de carga da Central Hidroeléctrica da Calheta, onde alguns participantes colocam os pés de molho em água fria da levada, preparando-se para o restante da caminhada do primeiro dia, que vai sensivelmente a meio.

Atravessar o Paul da Serra pelo bordo Sul é a opção até chegar à Bica da Cana, para então descer até à Casa do Caramujo. Aqui as paisagens são exuberantes com todo o maciço montanhoso central em destaque. O caminho até à Encumeada segue para a levada antiga da Ribeira do Inferno, descida para a Levada do Norte e Folhadal. Foram 10h30 até todo o grupo concluir a 1.ª etapa de caminhada. À chegada ao Chão dos Louros, seguiu-se a montagem das tendas, um merecido jantar convívio, com sopa cozida a lenha e uma massa.

Após uma noite fresca e um pequeno-almoço recheado, a segunda etapa seguia pela Encumeada, Pico Jorge, Pico Ruivo, Pico do Areeiro e fim no Poiso. À partida na Encumeada, o Sol alternava com algumas nuvens, o caminho ainda apresentava os vestígios do fogo do ano passado, mas a paisagem mais longínqua continua esplendorosa. No aproximar do Pico Ruivo as nuvens vão cobrindo a visão e ao chegar ao Pico do Areeiro, a chuva miudinha vai molhando os caminheiros até ao Poiso, restando pouca coisa seca. A segunda noite teve um conforto adicional com a recolha dos participantes na Casa do Barreiro, com direito a um banho quente e a um jantar retemperador, com sopa de castanhas a entrar e espetada com batatas e salada para segundo prato.

Domingo pela manhã, o dia amanheceu bem melhor do que o final do dia de Sábado, com o Sol a aparecer quentinho e a iluminar uma paisagem grandiosa logo no início, entre o Poiso e o Pico do Suna.

Depois a descida para a Levada da Serra, Lamaceiros e Portela. Nesta fase o Sol estava encoberto, não iluminava a paisagem, mas estava confortável para os caminheiros algo exaustos. Uma paragem na Portela para mais um breve descanso e oportunidade de incorporar mais um “caminheiro”, um fiel amigo que acompanhou o grupo até ao Caniçal. As Funduras antecederam a descida para a Boca do Risco, que é um dos momentos da travessia, andar na aresta da falésia, coberta por um manto de vegetação moldada pelo vento, com o mar azul de fundo, é uma experiência memorável.

O passeio continuou com a descida para a Levada do Caniçal e seguiu até à entrada do túnel do Caniçal para uma nova paragem. A partir deste local, a caminhada continua plana pela Levada do Caniçal até à descida para a vila, para voltar à estrada e poder atravessar a Zona Franca. Até final com alguns atalhos no bordo Norte da ilha e a descida para a Baia d´Abra para concluir mais um Raid Madeira Lés a Lés. No fim, entre os onze caminheiros que estiveram presentes nos três dias, quatro concluíram na totalidade toda a extensão do percurso e figuraram na foto dos resistentes.